domingo, 18 de junho de 2017

O Pântano meu de cada dia

De volta ao pântano...
Aquele lugar escuro, encharcado de choro e de muita autocomiseração.
A pior coisa do autoconhecimento dos 20 anos de terapia, dos intervalos medicamentosos e dos quase 50 de vida,  é conhecer o processo.
A irritabilidade, o excesso de sensibilidade, a preocupação desmedida, a confusão mental, os diálogos internos intermináveis, a paralisação das ações, a busca do escuro...
Sim. Sei todas as etapas e algumas não sei decifrar, mas sinto. Apenas sinto.
Então não posso, não me permito buscar um ombro onde possa desabar todas as minhas mazelas e espalhar a minha tristeza para todos que me rodeiam.

Ahhh, como eu queria!!! Ouvir frases feitas de psicanalise facebookeana... Afago nos ombros, sorrisos compreensivos, resgates recheados de muita, mas muita pena de MIM.
Apontar deliberadamente meu dedo cruel para quem, na maioria das vezes, sem saber apertou meu gatilho.  E depois de derramar toda minha ira, desabar em culpa e lagrimas.

Então escrevo, escrevo, leio em voz alta e consigo me ouvir fazendo da escrita um apelo pela atenção, mesmo que ninguém leia. Uma busca secreta dos tais afagos emocionais. É no mínimo patético. E essa auto-destruição também é parte do processo... Chega a ser engraçado, sem sorrir.

Maldito autoconhecimento que não me deixa encolher embaixo das cobertas e mandar mensagens enigmáticas e levantar a corrente já desgastada do SALVEM a Coitada.

Mas não faço.(A mártir esfacelada também tá nesse pântano).







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