quinta-feira, 17 de abril de 2008

Desculpa



Você me diz que eu te olho profundamente.

Desculpa.

Tudo que vivi foi profundamente.

Eu te ensinei quem sou e você foi me tirando os espaços entre os abraços,

guarda-me apenas uma fresta.

Eu que sempre fui livre,não importava o que os outros dissessem.

Até onde posso ir para te resgatar?

Reclama de mim, como se houvesse possibilidade

De eu me inventar de novo.

Desculpa,desculpa se te olho profundamente, rente à pele

A ponto de ver seus ancestrais nos seus traços,

A ponto de ver a estrada antes dos teus passos.

Eu não vou separar minhas vitórias dos meus fracassos!

Eu não vou renunciar a mim;

nenhuma parte, nenhum pedaço do meu ser vibrante, errante, sujo, livre, quente.

Eu quero estar viva e permanecer te olhando profundamente!"


Texto Ana Carolina - Adaptação unindo trechos das obras poeta gaúcho Fabrício Carpinejar e do poeta russo Boris Pasternak