Estava tudo bem.
Tudo corria como planejou.
Amigos juntos,
bebida boa,
musicas selecionadas com cuidado há meses...
Inquieta.
Viu seu reflexo num vidro.
Quem era aquela?
Sobrancelha, velha amiga, porque não relaxa?
Ajeitou o cabelo afastando os pensamentos .
E te viu.
Pára cabeça juvenil, quando vai parar de inventar cenas??.
De costas.
Respiração suspensa...
Esquadrinho cada centímetro,
Uma mão passou pelos cabelos, num gesto de sempre
a outra segurava outra mão...
Quem era aquela mão que ocupava
O lugar da sua?
Duas mãos seguraram sua cintura pelas costas
e foi arrancada daquele devaneio idiota!
Imaginei coisas? Claro, sempre imagino!
Pára!
Um beijo no pescoço, fez seu corpo arrepiar por puro reflexo físico.
O que ta fazendo aí parada?
Nada, tentou sorrir enquanto tentava tirar os olhos daquelas costas que lhe pertence.
Mergulhou naquele abraço, terno e seguro, como quando era criança com medo
do escuro.
Segurar o tremor..Como é mesmo o mantra para acalmar pensamentos?
Nossa! Sentiu a minha falta assim? Disse a doce voz do abraço.
Burra! Burra! Como pode lembrar essas lembranças junto dessa docilidade!
Some daqui, lembrança, passou e pronto.
Pára!
Ois! Agora escuto vozes? Nunca mais saio desse abraço.
Vou morrer aqui dentro de olhos fechados e coração aos pulos!
Pode acabar mundo, depressa.
Sentiu o afastamento do porto e virou-se para o oceano.
Não era loucura.
Você.
Oi.! Foi só o que a cabeça conseguiu criar.
Cumprimentos amáveis, beijinhos, sua barba estava por fazer.
Mãos geladas.
Seus olhos não se olharam .
Não entendia uma só palavra do que era dito, mas agora produzia
Hum hum’s e fazia movimentos faciais involuntários, tentativas de sorrir.
Ali quatro pessoas que se conhecem a vida inteira , apenas duas viveram.
A emoção se materializou ali, na cumplicidade do segredo.
Eram cinco pessoas. Não. Eram mais!
Pára!
Então! Ta tudo bem com você? Deus! Foi isso mesmo que eu ouvi?
Como pode ? Nunca vai ser bom sem você, gritava sua cabeça.
Mas sua boca disse “sim”.
Ar.. preciso... Ar.. preciso!
Vou ali, fiquem a vontade, saiu no automático.
Obrigada mãe, obrigada pai por me educar...
Na varanda o vento era forte, mas não sentiu.
Como isso foi acontecer?
Eu sabia... Minha intuição me disse no momento
que aceitei organizar a festa de aniversario de formatura.
Coisa mais ridícula , eu pensava
mas você pode vê-lo, dizia a outra.
Perigo, a placa piscava.
Estou segura, disse a insana.
Vai vê-lo... sussurrava a impiedosa.
Pára.
Céu de nuvens negras escondeu as estrelas,
Fecho os olhos e meu medo de chuva deságua.
Quando sentiu o calor do seu braço a milímetros do seu...
Seus mindinhos, velhos conhecido se juntaram...
Lágrimas..
Começo de chuva...
Não se pode olhar o olhar...
Nada mais se move naquele silencio.
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2 comentários:
Mesmo você. So tenho vontade de analisar, mas não faço. So ouço. Vem de muito longe... Lindo!
Bjao!
O verbo parar eu acentuo ainda pela sua grandeza e seus significados na minha vida.
Me recuso e pronto.
Pára.
Já parei uma vez e conheço sua força.
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